| Na ponte sobre o Pinheiros |
Saí de casa meio-dia em ponto. Antes tinha outras coisas pra fazer, ajustes na bike e mais arrumações. Parti rumo 9 de Julho, subi a ladeira que sai atrás do MASP, entrei na Itapeva e, mais uma vez, o guardador de carros me cumprimentou pela pequena subida. Atravessei a Paulista (dia de ciclofaixa), desci a Casa Branca até a Estados Unidos e dali para a Rebouças até a Ponte da Eusébio, sobre o Rio Pinheiros. Estava um pouco frio, um ventinho incômodo. Em determinado trecho, fui dar uma puxada no guidão para subir calçada e senti a lombar. A dor me acompanhou até a volta. Mas deu pra levar. Em menos de 20 minutos estava sobre o rio.
| Ciclovia de Taboão |
Cheguei ao outro lado sabendo que teria que enfrentar bons quilômetros de Francisco Morato até Taboão. Foi a parte mais chata do trajeto. Em alguns trechos quase não há calçada e andar na pista é arriscado pois é faixa de ônibus e estes estão sempre com muita pressa. Como eu não estava com pressa e passeando, fiquei pela calçada enquanto deu, parando, desviando e esperando pedestres passarem. Logo estava na divisa de Taboão, onde começa a Régis Bittencourt ou BR-116. Esta começa cortando Taboão numa pequena subida bem movimentada. Era domingão, horário de almoço e tudo estava cheio: restaurantes, filas para comprar o frango de "televisão de cachorro", igrejas e pontos de ônibus. Pouco antes de começar a subir, bem na divisa, há uma feira. Parei para tomar um caldo de cana com abacaxi muito gostoso. É combustível precioso para mais uma hora de pedal.
| Pouco antes do Rodoanel |
Segui a rota da Bikely que sugere usar a ciclovia de Taboão. Esta segue margeando o Córrego Poá até alguns quilômetros antes da divisa de muncípios. Terminando a ciclovia, sobe-se uma pequena rua e já estamos na BR. Há uma via marginal (muito mal cuidada) que dá pra ir quase até a entrada do Rodoanel (onde há o primeiro trevo de Embu). Uma vez na rodovia, segue-se pelo acostamento por menos de 1 km, passando por uma placa que diz: "PROIBIDO TRÂNSITO DE PEDESTRES E CICLISTAS A PARTIR DESTE PONTO". a Bikely indicava descer uma pequena rua após um posto de gasolina e pegar uma avenida chamada Paulista. Não achei a entrada e prossegui burlando a lei. Menos de 500m depois, ao passar por baixo do Rodoanel, em uma descida frenética, a saída encontra com esta Avenida Paulista. Já estou em Embu das Artes.
| Café e Pensamentos |
Parei para um café em uma cafeteria com uma cara boa, escrevi alguma coisa no meu caderninho de anotações e deixei os pensamentos fluírem enquanto ouvia um grupo de música andina tocar. O bom é que esse grupo tocava realmente música andina e não Roberto Carlos ou Julio Iglesias como a maioria faz nas praças das cidades. Lembrei de pessoas que poderiam estar ali comigo, lembrei de gente que estava longe e teria curtido um pedal desses, pensei de algumas oportunidades perdidas, companhias que se vão e sentimentos que escorrem e evaporam como o suor. Terminei o café e senti o vento que esfriava e poderia trazer chuva. Tratei de pagar, recolher minhas coisas e botar o pé na estrada. Já estava há quase uma hora lá. Meus planos era de voltar no máximo às 4 da tarde para não pegar o trajeto de noite.
Depois foi só ir até o cruzamento com a Brigadeiro e aproveitar a ciclovia do canteiro central até a Cidade Jardim, pegar a 9 de Julho e subir para casa. Cheguei em casa 6h10 da tarde, bem cansado, com fome e satisfeito. Foram 62 km pedalados, praticamente 6 horas de passeio e um pouco mais de experiência. Agora, que venha o Valeu Europeu!
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