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| Estátua do Velho Pescador - Muros |
Acordei tarde, tomei café e vi que no restaurante do hotel
havia um quadro com um mapa de relevo em 3D. Tratei de olhar o trajeto
Finisterre-Muros-Noia, meu atalho para chegar a Padrón e emendar no Caminho
Português, em sentido inverso, para o Porto. Vi que o melhor seria ir pela
costa, margeando o litoral.
Voltei para o quarto, pensei 32 segundos e resolvi que iria
me mandar. O tempo estava feio, Finisterre estava chato, meu corpo pedia
atividade e Amélia estava sozinha na garagem. Preparei os alforjes e meti o pé
na estrada. Saí de Finisterre meio-dia,
com tempo nublado que se tornou uma chuva fina depois.
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| Pausa para descanso |
Parei em uma pequena vila para comer e, depois de beber um chocolate com café, o dono começou a conversar. Perguntou de que parte do Brasil eu era e disse ter namorado uma brasileira quando morou em New York. Disse que tinha muito brasileiro em New Jersey. Eu falei que New Jersey era capital de Governador Valadares e ele concordou. Disse que uma vez fizeram um levantamento e que no ano entraram quase 5 mil padres do Brasil (de Minas) nos EUA, para New Jersey. Eu falei que devia ser uma igreja muito grande. E falou que deveria ser a igreja católica apostólica mineira. Me deu uma tortilla e rimos muito. Depois de reabastecer o estômago e a mente, segui viagem. O tempo estava bom, não chovia mais e o frio tinha ficado lá pela Costa da Morte. Pela estrada via muitos carros com casais de óculos escuros, gola polo e sorrisos propaganda de banco. Paravam em postos de gasolina com conveniência, bebiam e ouviam música alta. Pensei: aqui também tem bobódromo.
Outro bar, em Esteiro. Estava com fome e só achei
batata Rufles pra comer. Peguei uma, pedi uma coca-cola e fiquei ali. Paguei a conta e perguntei ao dono se ele tinha alguma tortilla ou bocadillo para eu levar. Ele perguntou aonde eu ia e de onde eu vinha. Depois que falei, me deu três
croissants para comer no caminho, uma xícara de café com leite e não quis receber por isso. Disse que era o máximo que podia fazer pra me ajudar pois o bar funcionava apenas à noite e a cozinheira ainda não havia chegado. Saí dali pensando que, enquanto fazia o
Caminho, carregava uma vieira no peito e duas na bike, não ganhava as coisas,
exceto de Dona Adina, em San Jean, de António e Maria e do S. Amancio, em
Castrojeriz. Agora que sou apenas um cicloturista, sem nada que me identifique
como peregrino, ganho muito mais.
E nada de Noia chegar. De repente, me vejo em um trevo. As
placas separavam Noia do resto do trajeto que eu tinha no mapa. O que eu tinha
mandava seguir por Serra de Outes, dar a volta na foz do rio e voltar para
Noia. Mas a placa mandava seguir em frente. E eu fui. De repente entendi o que tinha
acontecido. O rio Tambre vai se abrindo e chega ao mar, formando uma baía.
Nesse ponto, ele tem quase 1
quilômetro de largura. O que a Xunta de Galicia fez? Uma
ponte! Chamaram de Ponte do Engano. Ela começa e parece que acabou, mas apenas
passa por cima de uma ilhota na foz do Rio e continua mais à frente. Há uma
passagem para pedestres e ciclistas na lateral do acostamento, com grades de
proteção. E eu tenho pânico de altura em lugares estreitos. No meio da ponte
havia um velhinho gordinho. Eu vinha devagar concentrado na coisa e toquei a
campainha pra passar. Ele me deu passagem. Parei e perguntei quantos quilômetros
faltavam até Noia. Disse que uns 3 ou 3,5 e que não passava disso. Agradeci e
o homem continou a falar. E eu querendo sair logo daquela ponte de quase 1 quilômetro. Quando
cheguei na outra ponta, me senti aliviado. Já tive muitos sonhos em que caía de
pontes sobre a água. E isso me deixa angustiado. Hoje vivi essa experiência
novamente. Será que tem algo a ver com Noia?
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| A ponte da angústia interminável |



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