6.9.12

Diário do Caminho de Santiago 2011 - 10


León a  Rabanal del Camino - 3 de abril
O dia foi duro, pesado, com nuvens, chuva e pensamentos tenebrosos. Mas superei. 

"Dá-me forças..." - León
León é uma bela cidade que vale uma visita à parte, mas sem bike e Caminho de Santiago. A noite de sábado é bem agitada e o Centro Gótico ferve. Aliás, compensa visitar as grandes cidades do Caminho em outra viagem: Pamplona, Burgos, León, Astorga, Ponferrada e Santiago.

Saí de León por volta das 10h30, com 7 graus e tempo nublado, disposto a pedalar até Rabanal del Camino, fechando a etapa 6 e entrando na 7 do livro de Granados, perfazendo 71 km. Este trecho passa por Astorga, bela cidade, apesar de pequena, que tem uma Plaza Mayor gostosa e o Palácio Episcopal de Gaudi. Eu queria conhecer Astorga, uma das grandes cidades fundadas pelos suevos, os primeiros bárbaros a povoarem o que hoje conhecemos como Galícia, lá pelos anos 400.

Depois disso, foi carretera, subidas e frio. O tempo foi fechando e, chegando a El Ganso, já estava quase sem forças, com alguns quilômetros de subida ainda até Rabanal, entrada para a subida da Cruz de Ferro. Cheguei a Rabanal com frio, molhado da chuva e exausto. Tinha que pedalar nas descidas, por conta do vento e a coisa não rendia.  Graças à hospitalidade de Izabel e Eduardo Javier, donos da Posada El Tesin, tive uma ótima noite, banho quente, quarto aquecido e café da manhã revigorante. Quando passarem por lá, digam que o bicigrino brasileiro Marcio deixou lembranças.

Palácio de Gaudi - Astorga
No dia seguinte, me esperavam Foncebádon, com sua maldição, seus cachorros, a Cruz de Ferro e o Cebreiro, com as subidas mais fortes do Caminho. Pra quem achava que o Alto de Ibañeta, entre San Jean e Roncesvalles, no primeiro dia, era pesado, se enganou. Aquilo se transformou em um passeio na praia perto do que viria.

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