4.3.13

Montanha básica

Quando terminei o Caminho de Santiago, fui para Barcelona e passei uns dias. Fiquei em um bairro mais distante da Rambla e do burburinho barciano e sempre passava em frente a uma galeria com algumas lojas interessantes. Uma delas era de um sujeito de uns 60 anos, escalador, loja esta de equipamentos de escalada, trekking e alpinismo.

Havia alguns livros na vitrine e um me chamou atenção: Gran Travesia de los Pirineos en Bici, de Javier Sánchez-Beascoetxea. No último dia na cidade, resolvi entrar e perguntar do livro. A coisa acabou virando uma conversa de quase 1 hora. Conheci o irmão dele, também dono da loja, um escalador conhecido na Espanha, com 4 livros publicados, vi vários álbuns de fotos de viagens que fizeram e todas as credenciais de todos os Caminhos de Santiago que fizeram. E comprei o livro. O mais engraçado é que o sujeito não queria me vender o livro. Disse que era algo absurdo fazer a Transpirenaica, pois era muito difícil. Mesmo eu tendo falado que acabara de percorrer 1.100 km da França à Galícia, ele não queria me vender o livro. Tive que tomar da mão dele e jogar o dinheiro no caixa pra poder levar. Os 3 rindo muito. 

Mas o que mais me intrigou foi ele dizer que eu não conseguiria. Então, isso virou um projeto, um sonho. Sonho este que andei deixando meio de lado, mas que de vez em quando me cutuca. 

Semana passada fiz uma caminhada de 9 km na e cortei alguns bairros por algumas ladeiras da cidade. Então pensei que tinha, aqui em SP, bom lugar para treinar "escalada". Aí o sonho me cutucou de novo. Apesar de não ser montanha, subir algumas ruas com a bike requer um pouco de esforço, fôlego e paciência. Ainda mais com carros jogando fumaça na cara. Bom, hoje, como teste, fiz algumas ladeiras casca grossa em Perdizes e dei algumas voltas no estádio do Pacaembu, subindo por um lado e descendo pelo outro, além das 10 voltas no estacionamento, com leve subida, mas em velocidade insana. Resultado: estou bem fora de forma, se comparar com os quilômetros de montanha que tinha que encarar diariamente na Espanha. Então, o jeito é treinar. 

E que venha a Transpirenaica!

Mas antes, tenho outros projetos por aqui: Caminho da Fé, Caminho da Luz, Estrada Real, SP-Rio pela BR-101, Santos-SP subindo pela Estrada da Manutenção e SP-Itajaí pelo litoral.

Até os 45 anos quero estar saindo do Cantábrico rumo ao Mediterrâneo, sem pressa, perna após perna, deslizando a bike morro acima. Enquanto não vejo o Col du Tourmalet, vou de Rua Caiubi e Alameda Campinas.

Quem quiser ver mais sobre a Transpirenaica e tiver paciência, aí vai:


1.3.13

Museu das Zicas reabre em Joinville

Transcrevo a matéria publicada no Sol Diário hoje. "Tanajura", a bike do Valdo, estará lá.


Não poderia existir presente melhor. Joinville, desde 1950 a Cidade das Bicicletas, mais uma vez terá parte dessa história detalhada em um acervo com mais de 16 mil peças. Depois de três anos fechado, o Museu da Bicicleta (MuBI) será reaberto ao público no aniversário da cidade, em 9 de março. O espaço passou por reformas e continua localizado no armazém de cargas, na Estação da Memória.

Uma reparação com a comunidade joinvilense. Assim definiu Valter Bustos, o coordenador e dono do acervo do MuBi. 

— Estamos devolvendo à cidade algo que é dela. Estamos nos reparando com as escolas, com os visitantes do mundo inteiro que nos procuram e com os moradores de Joinville —, avaliou. 

Antes mesmo de abrir as portas, revelou o coordenador, já há visitas marcadas com turistas estrangeiros. 

— É o único museu da bicicleta da América do Sul. E, além das bicicletas – carinhosamente chamadas de “zicas” em Joinville –, temos um acervo incrível, com buzinas, campainhas e até caixas de fósforos decoradas com bicicletas —, avisou.

Entre as novidades, o coordenador adquiriu um antigo desejo: a bicicleta que o padre joinvilense Valdo usou para viajar pelo mundo. Ele saiu de Joinville em 2009 e em 2010 foi encontrado morto no México. A bicicleta foi trazida no ano passado e agora estará exposta no MuBI.

O museu passou, ainda, por mudanças. O piso foi melhorado; as paredes, pintadas, e a estrutura elétrica, reformada. 

— Foram pouco mais de dois meses de trabalho para podermos devolver à cidade um museu referência no País —, garantiu o presidente da Fundação Cultural, Rodrigo Coelho.

Uma equipe de técnicos da área museológica foi montada para ajudar na catalogação e legalização do acervo.

Para o diretor executivo da fundação, Joel Gehlen, que acompanhou de perto a situação do MuBI, a reabertura traz diferentes diálogos para a cidade. O primeiro é com o passado, pelo fato de a cidade ter tido o maior número per capita de bicicletas na década de 50. 

— A bicicleta está na afetividade de Joinville.

Outra relação é com a mobilidade urbana porque a bicicleta representa uma alternativa de locomoção. 

— Ainda há o fascínio que ela exerce como um objetivo de desejo em algum momento de nossas vidas e o benefício que traz à saúde —, pontua Gehlen.

— Todos esses diálogos se encontram no Museu da Bicicleta, que é um espaço de memória e também de inspiração de comportamentos que têm a bicicleta como elemento do dia a dia —, completa o diretor. 

Segundo ele, o visitante sai de lá com o desejo de andar ou de, no mínimo, respeitar mais o meio de locomoção.

O ACERVO

16 mil peças, entre bicicletas, fotografias, quadros, miniaturas, troféus, buzinas e campainhas.
A bicicleta mais antiga é de 1907 – um modelo Idealle.
O museu ainda conta com uma bicicleta que pode andar nos trilhos dos trens. Ela foi produzida pela equipe de Valter Bustos, no próprio museu.

REINAUGURAÇÃO9 de março, aniversário de Joinville, às 10 horas.
A Estação da Memória ainda vai ter exposição de carros antigos e o mercado de pulgas.
A entrada será gratuita.

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

Terça a sexta-feira: 9 às 18 horas.
Sábados, domingos e feriados: 12 às 18 horas
Entrada é gratuita.

Fonte: O Sol Diário