Quando terminei o Caminho de Santiago, fui para Barcelona e passei uns dias. Fiquei em um bairro mais distante da Rambla e do burburinho barciano e sempre passava em frente a uma galeria com algumas lojas interessantes. Uma delas era de um sujeito de uns 60 anos, escalador, loja esta de equipamentos de escalada, trekking e alpinismo.
Havia alguns livros na vitrine e um me chamou atenção:
Gran Travesia de los Pirineos en Bici, de Javier Sánchez-Beascoetxea. No último dia na cidade, resolvi entrar e perguntar do livro. A coisa acabou virando uma conversa de quase 1 hora. Conheci o irmão dele, também dono da loja, um escalador conhecido na Espanha, com 4 livros publicados, vi vários álbuns de fotos de viagens que fizeram e todas as credenciais de todos os Caminhos de Santiago que fizeram. E comprei o livro. O mais engraçado é que o sujeito não queria me vender o livro. Disse que era algo absurdo fazer a Transpirenaica, pois era muito difícil. Mesmo eu tendo falado que acabara de percorrer 1.100 km da França à Galícia, ele não queria me vender o livro. Tive que tomar da mão dele e jogar o dinheiro no caixa pra poder levar. Os 3 rindo muito.
Mas o que mais me intrigou foi ele dizer que eu não conseguiria. Então, isso virou um projeto, um sonho. Sonho este que andei deixando meio de lado, mas que de vez em quando me cutuca.
Semana passada fiz uma caminhada de 9 km na e cortei alguns bairros por algumas ladeiras da cidade. Então pensei que tinha, aqui em SP, bom lugar para treinar "escalada". Aí o sonho me cutucou de novo. Apesar de não ser montanha, subir algumas ruas com a bike requer um pouco de esforço, fôlego e paciência. Ainda mais com carros jogando fumaça na cara. Bom, hoje, como teste, fiz algumas ladeiras casca grossa em Perdizes e dei algumas voltas no estádio do Pacaembu, subindo por um lado e descendo pelo outro, além das 10 voltas no estacionamento, com leve subida, mas em velocidade insana. Resultado: estou bem fora de forma, se comparar com os quilômetros de montanha que tinha que encarar diariamente na Espanha. Então, o jeito é treinar.
E que venha a Transpirenaica!
Mas antes, tenho outros projetos por aqui: Caminho da Fé, Caminho da Luz, Estrada Real, SP-Rio pela BR-101, Santos-SP subindo pela Estrada da Manutenção e SP-Itajaí pelo litoral.
Até os 45 anos quero estar saindo do Cantábrico rumo ao Mediterrâneo, sem pressa, perna após perna, deslizando a bike morro acima. Enquanto não vejo o Col du Tourmalet, vou de Rua Caiubi e Alameda Campinas.
Quem quiser ver mais sobre a Transpirenaica e tiver paciência, aí vai: