3.10.12

Vale Europeu -1° dia: Blumenau - Timbó - Pomerode

Início do Circuito, Timbó
Eis que mais uma vez coloco Amelia pra rodar pelo mundo. Dessa vez foi no Circuito Vale Europeu, em Santa Catarina. O circuito abrange 7 dias de pedal por belas regiões, com algumas subidas de desanimar e muita terra, pedra e bons momentos. Meu companheiro de empreitada é o Ari, ex-colega de trabalho, gaúcho aventureiro de mão cheia, já tendo ido até Ushuaia de moto sozinho, a Manaus de microônibus, a Cuzco de carro (sem contar a Trilha Inca com um trekking de 4 dias) e umas semanas na Índia . Agora o Chê tá inventando de irmos para Cuba pedalar por 30 dias.

Saí de SP de ônibus leito e, de cara, já criaram caso para eu levar a bike desmontada dentro da bolsa. Coisa natural. Mas no final das contas tudo se resolveu. Cheguei em Itajaí na terça de manhã, montei a bike na frente da rodoviária e fui pedalando até a casa do Chê, cerca de 3 km. O povo fica olhando um cara abrir 2 bolsas, e tirar rodas, uma bicicleta e umas bolsas menores engraçadas que se prendem do lado da bike. 15 minutos depois o cara sobe na bike e sai pedalando na chuva. Cada uma... Além disso, já tinha me esquecido do sotaque catarinense do litoral norte. Conheço gente que odeia quando alguém diz bem "rapidinho que é só seguir reto toda vida se queres chegar logo ali..."
Eu acho graça - até senti saudades e me peguei rindo quando alguém falava algo.
Ponte sobre o rio Itajaí-açu, Blumenau
Tínhamos um problema: o Circuito começa em Timbó, a 30 km de Blumenau. Ônibus de Itajaí para Timbó que pudesse transportar a bike, só à noite. Então resolvemos que iríamos até Blumenau de ônibus e depois pedalando até Timbó para então iniciarmos o Circuito.E foi o que fizemos. 5h20 da manhã já estava de pé preparando tudo para sair. Pegamos o ônibus de 6h55 que chega em Blumenau por volta das 9. E saímos. Como estamos em SC, na parte povoada por europeus, não é difícil encontrar ciclovia bem sinalizada que corta praticamente toda a cidade. Seguimos então até a rodovia e, 30km e pouco menos de duas horas depois, estávamos em Timbó. Bastava encontrar o restaurante Tapyoca, ponto de partida do Circuito.

Entrei no Museu do Imigrante e fui muito bem recebido por uma senhora do atendimento. Ela explicou que as credenciais, mapas e etc poderiam ser pegas no próprio restaurante, na porta dos fundos. Chamei alguém e logo uma pessoa veio atender. Temos que entrar pelos fundos, passando pela cozinha e dali chegamos no salão onde uma mulher nos atendeu, explicou alguns detalhes e nos entregou formulários e o material. Custo: 10 reais. Este detalhe não estava no site, ou estava e eu não vi. Pagamos e seguimos.

Resolvi parar para um café em uma lanchonete logo depois do início e ali fui atendido pela Dona Neuza, uma gaúcha que me explicou que o rapaz que fazia os lanches tinha ido ao supermercado, mas voltaria logo. E que havia um café ali muito bom que ela prepararia para mim enquanto eu esperava o menino lancheiro. Conversamos um pouco e ela achou que eu estava em um grupo com carro de apoio, mecânico de bicicletas e todas as facilidades. Quando disse que estava em dupla com um amigo gaúcho que esperava lá fora, ela ficou meio assustada. Mas assustou-se mesmo quando soube que eu cruzei a Espanha na mesma bicicleta que estava ali fora, no ano passado. Disse que sou uma pessoa abençoada, me encheu de elogios que abasteceram meu ego para seguir viagem bem animado. Prometi a Dona Neuza voltar na lanchonete no final do circuito para comer o lanche anunciado que parecia ser algo muito bom. Não pude esperar. Ainda teríamos quase 50 km de estrada de terra pela frente com algumas subidas íngremes.

Enxaimel
Saindo de Timbó, senti o pneu traseiro meio baixo. Parei em um posto, enchi  e seguimos. Mas, pouco antes de passar perto de Rio dos Cedros, vi que o pneu estava mesmo baixo de novo. Acabamos errando o caminho e aumentando em quase 5 km o trajeto original, indo para dentro de Rio dos Cedros. Foi providencial. Encontramos uma loja de bicicletas com oficina e o seu Tarcízio resolveu tudo em menos de 15 minutos. Depois de Rio dos Cedros teríamos que reencontrar o circuito e seguir por ele na parte mais difícil do dia. O caminho segue por quase 30km por dentro das montanhas, com algumas casas estilo enxaimel. O guia indica pegar a Estrada Carolina para Pomerode. Esta estrada é algo bem cansativo e desanimador. Mas compensa o esforço. Suei muito, pensei muito, senti escorrer pelo nariz todo o lixo respirado na poluição de SP. Parece que os pulmões não cabem tanto ar puro. Na descida, com o dedo colado nos freios, é difícil segurar a bike a menos de 30 km/h. Logo estamos na parte baixa, passando ao lado da Rota Enxaimel, a poucos quilômetros de Pomerode.

Fim do 1° dia!
Chegamos a Pomerode: alegria de ter "fechado" o primeiro dia - este seria de apenas 43 km, mas por conta do pedal entre Blumenau e Timbó, dos caminhos errados e da entrada em Rio dos Cedros, o total do dia chegou perto dos 88 km. Pomerode é uma bela cidade onde o ciclista é muito valorizado. A ciclovia praticamente corta toda a cidade, com mais de 5 km. Fomos jantar no Restaurante Lunge. Excelente comida, caseira, com preço fixo (bem barato) para se comer o quanto quiser e receber um ótimo tratamento. Aliás, o povo dessa região é muito educado e receptivo. Em todos, eu disse todos, os lugares onde entrei, pedi informação ou comprei algo, fui muito bem atendido, com sorrisos, conversa e informações precisas. É interessante como cordialidade e boa educação podem ser dadas assim, de graça, com graça e simpatia.

Amanhã seguimos para Indaial e vamos emendar com o que seria o 3° dia: Indaial - Rodeio, trecho curto, praticamente plano e de uma beleza sem igual. Lá é que está o sr. Paulo Notari, o homem mais feliz do mundo, com seus 14 km de hortênsias plantadas em quase duas décadas. A previsão para estes dias era de um pouco de chuva. Hoje ela não deu a graça. E que continue assim!

Ponte coberta


2 comentários:

  1. indo contigo por aqui.
    e vá com fé, força, foco e meu beijo!
    ;)

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  2. Meu amigo, espero que esteja tudo rolando bem por aí. Por aqui eu vou viajando internamente nas mudanças que pretendo fazer para a vida. Abração.
    Bruno "reclama muito" Cunha.

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