5.9.12

Diário do Caminho de Santiago 2011 - 8

Castrojeriz a Sahagún - 1 de abril


Foi pauleira! 88 quilômetros em pouco mais de oito horas incluindo 17 quilômetros na terra, no meio de fazendas de cereais, com sol de rachar e um pneu furado. Mas foi.

Hostel do Dudu - Boadilla del Camino
Saímos de Castrojeriz por volta de 11h30. Passamos no albergue do Dudu, outro espanhol vidrado no Brasil. Eduardo administra o albergue/bar com a família, fala português e é um sacana de marca maior. Depois chegou o peregrino de Floripa e seu amigo venezuelanno que encontramos em Castrojeriz. Rimos muito das bobagens que falamos. Quando passarem em Boadilla del Camino, percam uma meia hora para um café com Dudu, em frente à igreja local.

Estes dois últimos dias foram cansativos. Estamos em um planalto, em região de grandes fazendas, com cidades mais esparsas e pistas retas, intermináveis. Este trecho de 17 km de Carrión de los Condes a Calzadilla de la Cueza é de matar. Imagine-se numa daquelas estradas da região de Ribeirão Preto, só que passando no meio das fazendas de laranja sem as laranjeiras. É por aí. Pra piorar depois do pneu trocado, percebi que estava cansando muito. Depois de mais de uma hora, vi que o freio traseiro estava travando. Soltei o cabo e fui sem. Rendi muito mais.

Carrión de los Condes a Calzadilla de la Cueza e 17 km de pensamentos
 Outro dia conhecemos Barbara, uma holandesa de 65 que está fazendo o Caminho sozinha, de bike. Nos últimos trechos sempre temos topado com ela. Barbara tem uma história de vida interessante, superando inclusive um câncer de mama. Ela pedala mais devagar, mantém uma média de 50 km por dia e dorme em albergues. Hoje pude pedalar os últimos 4km do trecho de 17 com ela. Conversamos um pouco e ela disse algo que eu já havia pensado desde que tinha 15/16 anos e falei pra algumas pessoas que, ou riram de mim ou não deram bola: a bike é como se fosse uma parte do corpo. Depois que percebemos isso, o pedalar se torna muito mais prazeiroso.

O Caminho é cansativo, mas é um espelho da nossa vida em miniatura. O tempo todo passamos por situações que já vivemos antes e não resolvemos. Ou resolvemos e temos agora a chance de ter um novo olhar. É algo muito interessante a se pensar. 

Obrigado, Bárbara, obrigado, Carrión...
Claudio, Barbara e sua Koga 29 de 23kg

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