Foi pauleira! 88 quilômetros em pouco mais de oito horas
incluindo 17
quilômetros na terra, no meio de fazendas de cereais,
com sol de rachar e um pneu furado. Mas foi.
| Hostel do Dudu - Boadilla del Camino |
Saímos de Castrojeriz por volta de 11h30. Passamos no albergue do Dudu, outro
espanhol vidrado no Brasil. Eduardo administra o albergue/bar com a família,
fala português e é um sacana de marca maior. Depois chegou o peregrino de Floripa
e seu amigo venezuelanno que encontramos em Castrojeriz. Rimos
muito das bobagens que falamos. Quando passarem em Boadilla del Camino, percam
uma meia hora para um café com Dudu, em frente à igreja local.
Estes dois últimos dias foram cansativos. Estamos em um
planalto, em região de grandes fazendas, com cidades mais esparsas e pistas
retas, intermináveis. Este trecho de 17 km de Carrión de los Condes a Calzadilla de la Cueza é de matar. Imagine-se
numa daquelas estradas da região de Ribeirão Preto, só que passando no meio das
fazendas de laranja sem as laranjeiras. É por aí. Pra piorar depois do pneu
trocado, percebi que estava cansando muito. Depois de mais de uma hora, vi que
o freio traseiro estava travando. Soltei o cabo e fui sem. Rendi muito mais.
| Carrión de los Condes a Calzadilla de la Cueza e 17 km de pensamentos |
Outro dia conhecemos Barbara, uma holandesa de 65 que está
fazendo o Caminho sozinha, de bike. Nos últimos trechos sempre temos topado com ela.
Barbara tem uma história de vida interessante, superando inclusive um câncer de
mama. Ela pedala mais devagar, mantém uma média de 50 km por dia e dorme em albergues. Hoje
pude pedalar os últimos 4km do trecho de 17 com ela. Conversamos um pouco e ela
disse algo que eu já havia pensado desde que tinha 15/16 anos e falei pra
algumas pessoas que, ou riram de mim ou não deram bola: a bike é como se fosse
uma parte do corpo. Depois que percebemos isso, o pedalar se torna muito mais
prazeiroso.
Obrigado, Bárbara, obrigado, Carrión...
| Claudio, Barbara e sua Koga 29 de 23kg |
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