4.9.12

Diário do Caminho de Santiago 2011 - 7


Burgos a Castrojeriz - 31 de março

Catedral de Burgos
Saímos de Burgos sem problemas. O objetivo era Fromista. Fizemos 45 quilômetros até Castrojeriz. A ideia era seguir mais 25 até Fromista. Mas Castrojeriz me atraiu. Se existe uma convergência de energias em alguns lugares do planeta, Castrojeriz é uma delas. 

Uns quilômetros antes, passamos pelo antigo convento de San António. A estrada passa por dentro do convento. Um gato preto cruzou a estrada. Parei para uma foto, mas não deu tempo. Em seguida, entramos na cidade. Tudo vazio. Ninguém nas ruas. Achei um bar com uma bandeira do Brasil na porta. E uma de Pernambuco e outra de Minas. Entramos. O bar pertence a António e Maria. António é famoso por oferecer uma tortilla e uma taça de vinho aos peregrinos que por ali passam. Conversamos um pouco e ficamos sabendo de um outro peregrino de Florianópolis que ali estava. Então, resolvemos ir. Mas queríamos ficar. Então, fomos andando e eu esperando algo que me pedisse pra ficar.

Paramos na loja do sr. Amancio. O homem ficou muito alegre quando dissemos ser brasileiros. Compramos algumas coisas e ele disse para voltarmos no dia seguinte, sábado, às 9, pois teria um presente. Mesmo assim, eu queria seguir e fomos. 

Igreja de San Jose
Então passamos pela igreja de San Jose, que tem relações com templários. Demos a volta na igreja imensa, feita de pedra, e olhei seus vitrais. O último que vi era um pentagrama invertido! Nunca soube de um símbolo esotérico e herético numa igreja católica. Parei e falei: vamos ficar! A cidade tinha algo pra mim.

Jantamos no restaurante do António e da Maria. Comida deliciosa. Ela nos mostrou fotos de suas viagens pelo Brasil. E conhecem mais o país do que a maioria dos brasileiros. Contou algumas histórias e nos divertimos. Saímos de lá por volta das 10 da noite e eu quis andar pelas ruas, queria ir à igreja, mas a parte da cidade onde fica estava totalmente no breu. Claudio ficou com receio e voltamos pro hotel. Naquela noite sonhei com a igreja, mas a pessoa que estava lá dentro disse que eu não poderia passar dali. Foi um sonho bem nítido e vívido.

Pela manhã, tomamos café no António, que nos serviu um queijo de ovelha feito na região e um azeite extra-virgem local no pão, iguarias delicosas que nos deram energia para os 88 km do dia. No som, tocava Strauss. Logo em seguida, começou a tocar Albinoni. A música me emocionou. Naquele momento pude entender tudo o que estava acontecendo. Então, lembrei que um iniciado sabe respeitar uma porta fechada e espera que ela se abra. Muitas lembranças me fizeram emocionar. Seria aniversário do meu irmão. Nos despedimos novamente das pessoas e seguimos.

La Taberna, Vinos e Comida
Foi um ótimo dia para recarregar as energias. Quando fizerem o Caminho, passem por Castrojeriz, sintam as energias do local, jantem no restaurante com a bandeira do Brasil, conversem com António e Maria, deem um abraço no sr. Amancio e digam que o brasileiro Marcio mandou um abraço. Comam o pão com azeite que el Consul  de Castrojeriz irá preparar com todo carinho. 
Parem em Castrojeriz e deixem as coisas acontecerem.

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