| Dá pra pedalar aqui? |
Entrei na etapa 10 de Granados, a penúltima. Não foi um dia
pesado, exceto pelo cansaço acumulado da subida ao Cebreiro e pelo frio da
manhã. É mais uma etapa técnica, já que o Caminho passa por muitos locais quase
não "cicláveis", com trechos de pedras, água, rios, pequenas subidas
e descidas de tirar o fôlego. Hoje quase cheguei a 60 km/h no asfalto. Fiquei
imaginando que se fosse com a B'Twin Emmanuelle, teria rachado no meio ou se desmontado.
Os pneus da 700 resistem bem ao terreno, mesmo com carga e velocidade.
Pela manhã, numa das descidas do Cebreiro, no asfalto, me
deparei com um holandês de uns 50-60 anos, em sentido contrário. Ele me parou e
perguntou quantos quilômetros de subida ainda teria. Falei que teria que
pedalar uns quatro e perguntei se ele vinha de Santiago. Disse que sim, mas na
verdade vinha de Portugal, do Faro, passou por Fátima e iria até sua casa, na
Holanda. Depois desse pequeno papo, recarreguei as energias e vi que não tinha
do que reclamar.
| Cebreiro, depois da noite de sofrimento |
Cheguei em Triacastela pouco depois do meio-dia e fiquei parado num bar para uns cafés
e para escrever os dois posts anteriores. Já estou na Galícia e parece outro
país. Até escrevem diferente. O modo de falar chega mais perto do de Portugal.
Mas é mais enrolado, com uns "x" no meio e um sotaque meio cantado,
lembrando o italiano.
Cheguei a Portomarin, a menos de 100 km de Santiago. E
percebi muito mais peregrinos pelo Caminho. Dizem por aqui que muitos fazem
apenas os últimos 100 km, que já contam para a Compostela, ou compostelana, o
diploma do peregrino, como conhecemos no Brasil. Outro detalhe ruim que
observei foi que o Caminho é uma indústria à medida que se chega mais perto do
objetivo final. Algumas setas amarelas foram apagadas para darem lugar a outras
que desviam do caminho original, levando para trajetos que passem na frente de
albergues privados e restaurantes, confundindo o peregrino honesto e
compenetrado. Há serviços de todo o tipo, desde frete de mochilas - há muitos
peregrinos caminhando apenas com um cajado e um cantil de água - até as vans
que "podem te levar ao Cebreiro" por 6 euros. Meu suor vale mais. E a
memória não terá preço.
| Alto de San Roque, 1270m anmm, onde encontrei o holandês |
| Amelia em Sarria, esperando mais um carimbo |
Sem comentários:
Enviar um comentário