Zubiri a Pamplona - 25 de março
Sem dar notícias por pouco mais de um dia, mas com muito
movimento nesse período.
| E o tal do suporte... |
No pueblo seguinte, havia uma fonte na saída. Paramos para
encher as garrafas e enxugar o suor. Estavam na fonte, Javier, o suposto mal
humorado, e Marcos, figura cativante. Javier não era mal humorado, pelo
contrário: muito simpático e atencioso, nos deu dicas do Caminho - era sua
segunda vez. A primeira foi em 2010, no ano jacobeo (também chamado de ano
santo compostelano, quando o dia de São Tiago cai em um domingo).
Voltemos aos alforjes. Na última vez que caiu, parei para
prender. Tive que abrir o fecho e dar um jeito com chave philips. Estava
terminando de arrumar a carga e chega Javier com meu casaco na mão. Agradeci e
fiquei ali parado no meio do bosque pensando em como julgo e falo demais.
Julguei um homem que nunca tinha visto logo de primeira e, graças a ele, não
fiquei sem casaco, podendo passar frio pelo resto do dia. O Caminho conversa
com a gente o tempo todo. Às vezes dá uns cutucões de leve, noutras, dizem ser
um esporro daqueles. Por enquanto só tive o cutucão de leve.
Marcos: 67 anos, espanhol, mochila grande, 14ª vez fazendo o
Caminho. Isso, 14ª vez. Começou em 99, quando fez 2 vezes. Caminha cerca de 40
km por dia (mais do que temos feito de bicicleta e mais do que a média geral).
Pessoa cativante, sempre sorrindo, fala rápido e anda mais rápido. Faz o
Caminho em 23 dias. Encontramos com ele mais duas vezes e com Javier uma vez, disse que perdeu Marcos de vista. Agora sempre brincamos perguntando onde
estará Marcos. A resposta sempre é umas 10 cidades à frente ou já em Santiago.
Quando perguntamos se ele não escreveu um livro, disse que o seu livro esta
dentro do peito e que é só abri- lo para ler quando quiser.
Chegamos a Larrasoaña. A cidade é minúscula,
mas com todo aquele ar medieval. Queríamos um café. Um senhor indicou a casa da
Dona Elita. É um misto de ateliê e mercadinho, mas impecável. Há uns anos, tive
um sonho. Nele, estava com Claudio fazendo o Caminho e, em determinado lugar,
eu pagava por algo. Depois de uns minutos de conversa, peguei umas notas no
bolso e perguntei à Dona Elita quanto era. Déjavu! Tirei a nota de 5 euros
sabendo que seriam 4,50. Ela disse: "quatro con cincoenta". Comecei a
rir por dentro. Já aconteceu outras vezes. Mas nessa foi tudo muito bem nítido.
| Pamplona |
Esse tal de Caminho é de pirar.
Para quem tem preguiça de ler e quer curtir um blog como
revista Caras, estou postando fotos aos poucos em http://picasaweb.google.com/marciolauriano
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