16.6.13

Preparando o alforje

Um dia escreveu Amir Klink:
“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

E eu tenho pensado que chega uma hora em que o homem tem que viajar, tem que deixar de lado o conforto, a rotina, o ar-condicionado, o aquecedor, o edredon e o café quente na hora. Precisa ir pra chuva, pro sol, pra estrada, pra poeira, pro desconhecido, pro desconforto e pro sorriso de ver o mundo ali, na sua frente, sem uma tela, sem um vidro, sem um programa de computador.

É preciso ficar a sós com seus pensamentos, ouvir o que o ouvido não ouve e ver o que os olhos não veem. É preciso pegar sol, chuva, passar frio e calor para que a mente se aquiete, para que a confusão de pensamentos, emoções e sentimentos de todos os dias se calem, façam fila e se coloquem em seus lugares. É preciso deixar o amor falar sem gritar. E o meu jeito é ficar em silêncio, na estrada, deixando que cada minuto venha, um após o outro, como as placas de quilometragem à beira do acostamento.

"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio".


Sem comentários:

Enviar um comentário