6.10.12

Vale Europeu - 3° dia: Rodeio - Doutor Pedrinho

Alto do Ipiranga, Rodeio
O dia foi de subidas e vales. E vale quer dizer descida alucinante seguida de subida entendiante.

Dormimos no Cama & Café Stolf. O lugar é excelente, casa de Seu Dante e Dona Irene. Fomos muito bem recebidos quando chegamos. Seu Dante tratou de providenciar uma mangueira com jato de água para lavarmos as bikes e bolsas. De manhã, um café da manhã excelente com ovos das galinhas criadas no quintal e pão caseiro. Ainda recomendaram fazer sanduíche para levar com frutas pois o dia é mais isolado que os demais. Saímos de Rodeio 8 horas em ponto para encararmos os 8,5 km de serra até o alto do bairro Ipiranga. Recomendo fazer reserva antes para que eles se preparem e sirvam o que há de melhor em hospitalidade italiana da região.

Pequeno Paraíso
O pedal começa com a subida leve que vai ficando mais acentuada até se chegar ao Picol Paradis, a famosa série de anjos, hortênsias e beleza construída pelo Sr. Pedro Notari. Não o vi por lá, mas deu pra passar alguns momentos de descanso ao pé do Cristo Redentor criado por ele. Algumas centenas de metros antes já começam a surgir os anjos. As hortênsias foram bem poucas pois florescem no final da primavera e começo do verão. As que podiam se ver eram bem poucas em meio às queimadas pelo frio e geada. O Pequeno Paraíso é um conjunto de poucas casas com estátuas de anjos, todas iguais. Não sei a quantidade, mas há muitos deles espalhados por vários pontos. Mais à frente, há uma pequena igreja, a de Nossa Senhora de Lourdes, com inscrição em francês em uma pequena pintura acima da porta. Este ponto é bom para um descanso enquanto se aprecia todos aqueles anjos em meio ao verde da mata e aos gramados bem cuidados da propriedade. É bom que se descanse, pois a pior parte vem em seguida. Dali ainda faltam uns cinco quilômetros de subida e subida forte, de ter que empurrar a bike e sentir a panturrilha arder.

Levamos praticamente 3 horas para subir e, chegando no topo, pegamos uma chuva bem leve e gelada. Uma dica dada pelo Seu Dante, de Rodeio, foi encher as garrafas com água de uma fonte em uma biquinha na beira da estrada. Na verdade, a biquinha é um cano branco que sai do barranco ao lado esquerdo do caminho, logo depois da casa da foto maior lá em cima. Não há qualquer sinalização. Mas, ao avistar esta fonte, pode parar, encher a caramanhola, beber a água gelada e pedalar mais 100 metros. Chegou-se ao topo. Há um pequeno platô em frente a uma casa. Dali, em dias de céu claro, pode-se ver toda a região ao redor. Pare, relaxe, estique-se, coma alguma coisa e depois siga por uma descida alucinada de uns 5 minutos com curvas fechadas e inclinação considerável. Se passar dos 45 por hora não estranhe. Só não vá derrapar e cair nas pedras. 

Depois desse pequeno downhill, a estrada vai serpenteando propriedades, bosques de pinheiros e começam a surgir as madeireiras. São várias pela estrada. Não espere encontrar comércio ou locais para comprar alguma coisa pois não há. Somente perto do km 20 do guia é que encontramos uma pequena "venda" com água gelada e coisas para comprar. Como já estava na hora do "almoço", os sanduíches de Dona Irene caíram muito bem. Dali pra frente, subidas e descidas são algo bem comum.  A coisa vai bem chata até se chegar ao Salto Donner, pouco antes de Doutor Pedrinho. Há uma subida monstro até o bairro. Depois disso, um pouco de descida. Quando se chegar aos campos de arrozal, basta mais uns 3 km para o destino final. 

Em algum ponto da estrada, há um pequeno desvio (200 metros) para se visitar a única igreja em estilo enxaimel do Brasil. Esta igreja é luterana, como boa parte das que vi por estes dias. A melhor visão que se tem dela é do alto da subida após cruzar o rio e subir para o outro lado do morro. Se o dia estiver chuvoso ou tiver chovido antes, a quantidade de lama será absurda. É tanta lama que a bike do Ari quase não andava mais. Ficou pesada com o barro agarrando tudo. E esse barro seca bem rápido, parecendo um tijolo. Tivemos que parar e mexer nisso com chave de fenda pra soltar o grosso das partes móveis. 

Chegamos em Doutor Pedrinho. A cidade é bem pequena, praticamente com 2 ruas, tem pouco mais de 3 mil habitantes e é mais fria que as que visitamos nos últimos dias. Fiquei curioso com o nome e descobri que Doutor Pedrinho foi pai do governador Aderbal Ramos e este foi sobrinho de Nereu Ramos e Celso Ramos, nomes famosos no estado. Chegamos cedo, antes das 3 da tarde. Há uma confeitaria pequena e bem bonita logo na entrada da cidade, a alguns metros da prefeitura e ao lado dos Correios. Peça uma fatia de torta das várias que estão na vitrine, sente na mesa de pedra do lado de fora e aprecie o "movimento" da cidade. 

As bikes precisavam de um trato. Recomendaram o único lugar onde se conserta bicicleta na cidade: a "lojinha" do Jerônimo (que tem um apelido que não lembro, acho que Luni, Loni). Ele deu uma limpeza e lubrificação caprichadas no equipamento e a bike parecia nova! Total do serviço: 5 reais! Quase inacreditável. Pronto. Agora é curtir Doutor Pedrinho até amanhã, dia de pedal mais isolado por entre represas, propriedades e um pouco mais de barro. 

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