| A travessia para a estrada |
| Chegando na Barragem Rio Bonito, Palmeiras |
O sexto dia segue com algumas subidas e poucas descidas. Sobe-se bastante, mas nada acentuado ou difícil. Apenas é necessário um pouco mais de preparo físico, paciência e, como já disse antes, uma 34. A paisagem não é tão bela quanto diz o guia. Achei um pouco cansativa, com poucas casas, vegetação abundante, mas sem muita variedade. E o sol estava castigando os miolos. Às 10 da manhã, o protetor solar já não fazia tanto efeito. Até se chegar nos portais da fazenda Custódio Bona, o corpo vai sofrer um bocado. Tenha paciência e disposição. Depois do portal, começa uma descida para Palmeiras. Há um ponto onde a descida torna-se bem acentuada. Quase no final, antes de uma curva, há um pequeno santuário com queda d´água sob uma marquise de pedra. É um ótimo lugar para parar, refrescar a cabeça na água gelada e rezar, se for o caso.
Mais uns minutos e é possível avistar a barragem Rio Bonito. Após a descida, há uma entrada à esquerda com algumas casas. Não se engane, é mais para frente, seguindo pela direita. Pedale por mais uns quilômetros e quando chegar no calçamento, o mercado do Faustino estará à esquerda. Ali é Palmeiras. Quem nos atendeu foi o Leonardo, sujeito muito prestativo e atencioso. Ele nos explicou a questão de não receber mais hóspedes: o hotel está desativado. Mas disse que, após a reforma que pretende fazer, vai receber novamente viajantes e ciclistas. Perguntamos como fazer para conseguir hospedagem e ele nos desanimou.
No final das contas nos restavam 3 opções:
1) pedalar até Cedro Alto pelo circuito e dali desviar até o Centro de Rio dos Cedros para dormir, voltando ao circuito no dia seguinte, pela subida-monstro de Rio Cunha;
2) fazer todo o sétimo dia dali pra frente, opção descartada por ser muito dura por conta justamente da subida monstro e do tempo que despenderia - já eram quase 3 da tarde;
3) acatar a sugestão de Leonardo: pedalar direto pela estrada geral sem seguir a seta que desvia para o circuito e chegar até Timbó finalizando a viagem.
Parênteses para críticas
Comentamos com algumas pessoas sobre o estado da sinalização e sobre a falta de atualização das informações, e muitos concordaram que a situação já foi melhor. Fica um alô para o pessoal do turismo da região: há muito o que melhorar no quesito informação. O guia está desatualizado, principalmente na parte alta, nem tudo coincide com o descrito e algumas placas sumiram. Raulino confirmou a mesma coisa com a placa que existia há um tempo no final da descida da Pedra Branca. Algumas placas simplesmente não têm mais o texto ou a seta, pois o tempo apagou tudo. É desanimador chegar em um ponto e não se saber para onde ir. Quem não usa agências de turismo fica um pouco à mercê da sorte. Além disso, um bom guia é escrito por quem fez o trajeto, sem ser necessário o uso de floreamentos e figuras de estilo. O que o ciclista ou o caminhante querem é informação técnica e precisa. Um bom guia foge dos padrões "guia de turismo" com texto para atrair clientes. O ciclista ou mochileiro já está no circuito e não precisa ser convencido de ir ou de que há "águas cristalinas" e "campos verdejantes". Ele já está lá. Se alguém pensar nisso, talvez muita coisa possa melhorar. Fica a sugestão.
Pronto, falei!
| Ponte coberta, Rio Milanês, na estrada geral |
| Timbó |
Em pouco menos de uma hora, chegamos a Rio dos Cedros e seu calçamento de matar qualquer glúteo. Paramos em uma padaria para um café e foi engraçado ver a cara da dona quando viu dois mulambos com o cabelo amarelo de poeira, a cara toda queimada de sol e as roupas imundas. O café estava bom e deu pra descansar um pouco do calor de verão que fazia. Com alguns quilômetros a mais de asfalto, estávamos dentro de Timbó, no mesmo ponto onde tudo começou, há 5 dias. O café e a vontade de chegar logo me deram energia extra e pedalei forte até a entrada da cidade. Parte da Avenida Getúlio Vargas estava fechada, enfeitada com bandeiras, aguardando o resultado das eleições. A cidade estava em festa.
Mais um roteiro completo, mais uma viagem vencida e a alegria de ter superado tantos obstáculos. Para quem quer se aventurar neste circuito, recomendo fazer. Apesar das dificuldades, vale a pena. Prepare-se, tenha fé, faça as reservas e soque a bota. É recompensador.
Daqui a uns dias farei um post com mais detalhes e informações que colhi nestes dias que vivi nestas belas montanhas. Espero que sejam úteis.
Daqui a uns dias farei um post com mais detalhes e informações que colhi nestes dias que vivi nestas belas montanhas. Espero que sejam úteis.
Bom pedal a todos!
Ultreya!
| O ponto zero do sexto dia - a placa já era! |
pedalaria contigo por mais uns dias...
ResponderEliminarADORO isso aqui.
Orgulho!
meu beijo procê.