9.10.12

Vale Europeu - último dia: Alto Cedros - Palmeiras - Timbó

Acordamos no chalezinho alugado pelo Raulino bem cedo, pouco depois das 6. O café da manhã já estava pronto. Pegamos algumas recomendações, preparamos sanduíches para mais tarde e fomos para a travessia de bote.

A travessia para a estrada
Raulino transporta seus hóspedes até um ponto próximo ao Hotel Parador, lugar de início do sexto dia. A canoa maior não estava na beira da água e tivemos que fazer duas viagens. Primeiro foi o Ari e fiquei esperando. Depois seguimos, Raulino, Amelia e eu. Como o nível da água estava muito mais baixo que o normal, só dá pra atravessar com remo e, uma vez na beira, tem que se empurrar a bike até a estrada. Foi o que aconteceu. Mas correu tudo tranquilamente. Com pouca água na barragem, algumas remadas são suficientes até a margem oposto. Bicicletas na estrada, nos despedimos do nosso anfitrião e seguimos para mais um dia cheio de incertezas e dúvidas. Para quem pretende ficar em Alto Cedros, é extremamente recomendável telefonar para o Raulino e fazer a reserva. O telefone é o (47) 3057-5581. Em Alto Cedros, o celular não pega. Portanto, ligue quando estiver em Rodeio ou Doutor Pedrinho para garantir. Do contrário, poderá ficar em situação delicada.

Chegando na Barragem Rio Bonito, Palmeiras
O sexto dia segue com algumas subidas e poucas descidas. Sobe-se bastante, mas nada acentuado ou difícil. Apenas é necessário um pouco mais de preparo físico, paciência e, como já disse antes, uma 34. A paisagem não é tão bela quanto diz o guia. Achei um pouco cansativa, com poucas casas, vegetação abundante, mas sem muita variedade. E o sol estava castigando os miolos. Às 10 da manhã, o protetor solar já não fazia tanto efeito. Até se chegar nos portais da fazenda Custódio Bona, o corpo vai sofrer um bocado. Tenha paciência e disposição. Depois do portal, começa uma descida para Palmeiras. Há um ponto onde a descida torna-se bem acentuada. Quase no final, antes de uma curva, há um pequeno santuário com queda d´água sob uma marquise de pedra. É um ótimo lugar para parar, refrescar a cabeça na água gelada e rezar, se for o caso. 

Mais uns minutos e é possível avistar a barragem Rio Bonito. Após a descida, há uma entrada à esquerda com algumas casas. Não se engane, é mais para frente, seguindo pela direita. Pedale por mais uns quilômetros e quando chegar no calçamento, o mercado do Faustino estará à esquerda. Ali é Palmeiras. Quem nos atendeu foi o Leonardo, sujeito muito prestativo e atencioso. Ele nos explicou a questão de não receber mais hóspedes: o hotel está desativado. Mas disse que, após a reforma que pretende fazer, vai receber novamente viajantes e ciclistas. Perguntamos como fazer para conseguir hospedagem e ele nos desanimou.

No final das contas nos restavam 3 opções:
1) pedalar até Cedro Alto pelo circuito e dali desviar até o Centro de Rio dos Cedros para dormir, voltando ao circuito no dia seguinte, pela subida-monstro de Rio Cunha;
2) fazer todo o sétimo dia dali pra frente, opção descartada por ser muito dura por conta justamente da subida monstro e do tempo que despenderia - já eram quase 3 da tarde;
3) acatar a sugestão de Leonardo: pedalar direto pela estrada geral sem seguir a seta que desvia para o circuito e chegar até Timbó finalizando a viagem.

Parênteses para críticas
Comentamos com algumas pessoas sobre o estado da sinalização e sobre a falta de atualização das informações, e muitos concordaram que a situação já foi melhor. Fica um alô para o pessoal do turismo da região: há muito o que melhorar no quesito informação. O guia está desatualizado, principalmente na parte alta, nem tudo coincide com o descrito e algumas placas sumiram. Raulino confirmou a mesma coisa com a placa que existia há um tempo no final da descida da Pedra Branca. Algumas placas simplesmente não têm mais o texto ou a seta, pois o tempo apagou tudo. É desanimador chegar em um ponto e não se saber para onde ir. Quem não usa agências de turismo fica um pouco à mercê da sorte. Além disso, um bom guia é escrito por quem fez o trajeto, sem ser necessário o uso de floreamentos e figuras de estilo. O que o ciclista ou o caminhante querem é informação técnica e precisa. Um bom guia foge dos padrões "guia de turismo" com texto para atrair clientes. O ciclista ou mochileiro já está no circuito e não precisa ser convencido de ir ou de que há "águas cristalinas" e "campos verdejantes". Ele já está lá. Se alguém pensar nisso, talvez muita coisa possa melhorar. Fica a sugestão.
Pronto, falei!

Ponte coberta, Rio Milanês, na estrada geral
Diante de toda essa confusão, foi mais seguro seguir o conselho do Leonardo e finalizar a viagem. Aliás, a paisagem da estrada geral é bem bonita e esta cruza o trajeto original em dois pontos, além de ser uma descida alucinante, acompanhando o rio e passando por lugares bem agradáveis, com mais comércio e gente.Algo curioso aconteceu neste trecho. Estava subindo uma pequena ladeira entre os trechos de descida e um carro encostou ao lado da bicicleta. O motorista cumprimentou e perguntou se eu estava fazendo o Vale Europeu. Disse que sim, mas já estava voltando para Timbó. Ele queria confirmar pois pensou que estávamos fora do circuito original. Achei bem educado da parte dele mostrar esta preocupação. Agradeci e o carro seguiu. Olhei no vidro traseiro e a foto do motorista estava estampada. Era candidato a vice de alguma prefeitura.

Timbó
Em pouco menos de uma hora, chegamos a Rio dos Cedros e seu calçamento de matar qualquer glúteo. Paramos em uma padaria para um café e foi engraçado ver a cara da dona quando viu dois mulambos com o cabelo amarelo de poeira, a cara toda queimada de sol e as roupas imundas. O café estava bom e deu pra descansar um pouco do calor de verão que fazia. Com alguns quilômetros a mais de asfalto, estávamos dentro de Timbó, no mesmo ponto onde tudo começou, há 5 dias. O café e a vontade de chegar logo me deram energia extra e pedalei forte até a entrada da cidade. Parte da Avenida Getúlio Vargas estava fechada, enfeitada com bandeiras, aguardando o resultado das eleições. A cidade estava em festa. 

Mais um roteiro completo, mais uma viagem vencida e a alegria de ter superado tantos obstáculos. Para quem quer se aventurar neste circuito, recomendo fazer. Apesar das dificuldades, vale a pena. Prepare-se, tenha fé, faça as reservas e soque a bota. É recompensador.

Daqui a uns dias farei um post com mais detalhes e informações que colhi nestes dias que vivi nestas belas montanhas. Espero que sejam úteis.

Bom pedal a todos!
Ultreya!

O ponto zero do sexto dia - a placa já era!





1 comentário:

  1. pedalaria contigo por mais uns dias...
    ADORO isso aqui.
    Orgulho!
    meu beijo procê.

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